A tendência dos jovens em equiparar matemática com cálculos – garotos pequenos estão pensando que mesmo a geometria não é suficientemente abstrata – e se por acaso você mencionar que pessoas propuseram essas ideias eles irão realmente recusar: isso é história – confusa e duvidosa, enquanto a matemática é pura e abstrata – correta ou errada, não há opiniões. A Matemática tal como é concebida na escola primária não suscita a mente matemática.

Eu poderia fazer todo um discurso fervoroso sobre a metáfora do ensino da música através da prática de escalas, e da literatura por meio da soletração perfeita – e quando você terminasse os 12 anos de tédio, você ouviria que nunca mais precisaria ler um livro ou escutar música.

Para dar início a uma aula é necessário ter uma energia imensa para vencer a já estabelecida passividade. Crianças blasés de seis anos de idade: “você é o professor – o seu papel é me dizer o que devo aprender”. Não caia nessa armadilha, ou no jogo do “isto não está claro!” (tirando de um quebra-cabeça chinês pequenos homens com chapéus de trabalhador). Você pode usar isto para atraí-los – mas é realmente um desafio engajar os músculos mentais.

É crucial estabelecer desde cedo um ambiente bem humorado, de intensidade – aqui está o que fazemos – vale a pena, e embora difícil, nós conseguimos, se colocarmos o cérebro para funcionar. Estabeleça a ordem: fazer a chamada no início da aula serve para diferenciar esse momento do resto do dia e também ajuda aqueles com menores aptidões sociais a aprender o nome dos colegas.

O primeiro desafio é fazer com que o grupo trabalhe de forma colegial – nem passivamente, tampouco competitivamente. Tê-los fixos em você é lisonjeiro, e ajuda a fazer com que a turma se mova na mesma direção, mas deixá-la fixa ao problema é o nosso objetivo. Os estudantes não deveriam sentar e apreciar a sua motivação; eles deveriam estar motivados também.

E quando eles estiverem, contenha o impulso de dizer “Isso é brilhante” para um dos alunos, e diga “Ótimo – o que podemos fazer com isso…” para que o clima de otimismo e confiança seja distribuído para o grupo inteiro.

A grande tarefa de ensinar é criar uma conexão ininterrupta entre os fins e os meios: mantendo os seus olhos nos princípios do quebra-cabeça com o qual todos vocês estão envolvidos. Não basta que seus alunos achem a matemática engraçada – evite o enunciado “matemática divertida”: sim, nós queremos atraí-los, mas para a coisa de verdade, não para a versão da Disney. Precisamos fazer com que eles saibam que existe uma estrutura muito bem construída na matemática, que eles saibam que estão aprendendo a jogar o mais nobre dos jogos.

E também a maior variação – qualquer coisa pode alimentar o moinho de uma mente questionadora: quando os olhos percebem uma interrupção intencional daquilo que você está trabalhando, o cérebro sacode desperto: é hora das máquinas funcionarem, ou uma discussão sobre se as colunas de número são Dóricas, Jônicas ou Coríntias, de onde o nome zero se origina – usando as mesmas técnicas mentais em um outro tópico.

 

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Por que ensinar no estilo do Círculo de Matemática?

A questão mais decepcionante que pode ser feita a um professor de matemática: “por que estamos estudando isso?” ou ” Para quê vou usar isso?”

Em um congresso de 1969, discutia-se o porquê de o governo financiar a construção de um novo acelerador de partículas ( o supercollider supercondutor, uma mini versão do grande Hadron collider do CERN) e o senador Pastore de Rhode Island questionava Robert Wilson, o líder do Fermilab.

Pastore: O acelerador de partículas tem algo a ver com a segurança do país?

Wilson: Não, senhor, creio que não.

Pastore: Nada mesmo?

Wilson: Nada mesmo.

Pastore: Não há valor algum a respeito disso?

Wilson: Só tem a ver com o respeito que temos uns pelos outros, com a dignidade dos homens, com o nosso amor pela cultura… Tem a ver com sermos bons pintores, bons escultores, bons poetas? Falo sobre todas as coisas as quais veneramos no nosso país e pelas quais somos verdadeiros patriotas… Não tem nada a ver com defender nosso país, mas sim de torná-lo merecedor da nossa defesa.

E é essa a resposta que o ensino do Círculo de Matemática dá às questões mortais sobre vantagens práticas: As pessoas nunca perguntam “Para que isto é usado?” ou “Qual o sentido disso?” sobre algo que elas inventam (ou descobrem) por si.